ABC da greve

ABC da greve é um documentário de Leo Hirzsman que trata de uma das greves mais importantes da história política do Brasil: a greve dos metalúrgicos do ABC paulista, em 1979. O filme traz depoimentos riquíssimos de empresários, sindicalistas e trabalhadores comuns no calor dos acontecimentos. O filme mostra que os sindicatos e movimentos sociais viviam sob a sombra da repressão e da intervenção durante todo o tempo, empresariado e governo partilhavam de uma postura nitidamente conservadora e havia uma aliança de interesses entre esses dois atores.

O documentário pode ser dividido em três partes. A primeira conta o início da greve, suas motivações imediatas, a forte repressão policial com a Rota nas ruas e termina com a trégua aceita pelos sindicalistas, quando estes voltam ao trabalho enquanto negociavam com o patronato. Na segunda parte, são retratadas as péssimas condições de vida dos operários, vivendo majoritariamente em favelas com salários que não acompanhavam o aumento do custo de vida, e obrigados a conviverem com a baixa qualidade de serviços públicos como saúde, saneamento e educação. Por fim, o diretor volta-se para os conflitos ocorridos após o fim da trégua, quando algumas fábricas, como a Ford, descumprem o acordado com os sindicatos e cortam o ponto dos grevistas pelos dias em greve. O filme termina com o estabelecimento de um acordo entre sindicalistas e patronato.

Essa greve se tornou um marco da história nacional porque foi um movimento que ultrapassou as fronteiras do sindicalismo, englobando os setores progressistas da Igreja Católica, atores e agentes políticos que contestavam o poder militar. Seja pela sua magnitude, seja por, no fim das contas, ter se constituído como um desafio à ordem estabelecida.

Link para assistir o documentário online: https://www.youtube.com/watch?v=2hhFk0cml6Y

CABRA MARCADO PRA MORRER

“Cabra Marcado para Morrer” (119 min, 1964/84) é considerado o melhor e mais importante filme documentário já realizado no Brasil. Em 2000, quando o país comemorava os 500 anos de seu descobrimento, o festival de documentários “É Tudo Verdade” pediu a 40 especialistas, entre cineastas e críticos, que escolhessem os dez títulos documentais mais importantes do cinema brasileiro. O filme de Eduardo Coutinho, lançado em 1984, foi o mais votado da lista, com quase o dobro de indicações obtidas por “Di”, de Glauber Rocha, o segundo colocado.

Ele conta uma história que tem início na década de sessenta, quando um líder camponês, João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. Sapé, Paraíba. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois o documentarista Eduardo Coutinho, idealizador e diretor do filme, retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, dispersados pela onda de repressão que se seguiu ao episódio do assassinato.

Eram onze filhos, a mais velha cometeu suicídio logo após a morte do pai, quando Elizabeth foi presa, pela primeira vez. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.

O encontro – Um Encontro histórico reuniu a líder camponesa Elizabeth Altina Teixeira e o deputado Francisco de Assis Lemos em debate na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na noite da última terça-feira (18). Aconteceu durante o debate “A luta pela terra e a violência no campo”, promovido pelo Departamento de História da UFPB, com a participação dos alunos do Curso de Licenciatura Plena pelos Movimentos Sociais do Campo (MSC). O Centro Acadêmico (CA) de História e a ADUFPB, Sindicato dos Docentes da UFPB, também participaram da organização do evento.

Encontro que reuniu a líder camponesa Elizabeth Teixeira, 44 anos depois da morte do seu marido e 22 do lançamento do filme, e o advogado e deputado cassado pelo regime militar, em 1964, Assis Lemos. O encontro aconteceu no auditório 412 do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA), às 19 horas. Auditório lotado para ouvir dois dos nomes mais importantes das lutas sociais na Paraíba, antes do Golpe de 1964.

Ela, apesar dos 81 anos bem vividos, e marcado pela luta e por tragédias pessoais, ainda desfruta de lucidez suficiente para contar a sua história, e continuar defendendo o homem do campo. Ele, que era deputado estadual pela Paraíba, quando foi cassado, exatamente há 42 anos. Em abril de 64, e que foi obrigado a mudar-se para Londrina (PR), onde reconstruiu sua vida e tornou-se professor.

Os dois, além de contarem suas histórias de vida para uma platéia atenta, dividiram as mesmas idéias, quando defenderam a luta do homem do campo como uma necessidade de toda a sociedade. Ambos acreditam que criar condições para que o homem possa viver com dignidade no campo, é também uma das maneiras de resolver os problemas enfrentados pela população dos grandes centros urbanos, que costuma absorver exatamente essa população carente que busca as cidades à procura de uma vida melhor.

Uma emoção – O testemunho de Elizabeth ganha força de atualidade, diante das estatísticas sobre mortes no Brasil em decorrência de conflitos fundiários: 1.500 nos últimos anos, segundo a Comissão Pastoral da Terra, 39 delas em 2005. Fala das dificuldades em criar os filhos sozinha, sem o apoio da família que nunca aceitou seu casamento. Da dor de ver dois filhos assassinados, e o suicídio da filha. Relembra em detalhes o dia da morte do marido e conta o que mudou depois desse acontecimento. Falou da esperança de ainda ver o trabalhador do campo ganhar sua terra. No seu entender, “A reforma agrária ainda não foi implantada em nosso País”. Mas ela é uma mulher de esperanças, marcada para lutar.

Que revela sentir uma tristeza quando acontece qualquer violência com o homem do campo. Por conta de João Pedro. “Porque João Pedro é uma personalidade que só queria o melhor para a classe trabalhadora, do campo, lutando, e é assassinado em emboscada, barbaramente”, completa Elizabeth, que acrescenta, “até hoje eu vejo essa violência com o homem do campo e me sinto muito triste, o homem do campo luta por melhores condições de sobrevivência”

Segue dizendo que “João Pedro era uma pessoa que lutava dia e noite para que o homem do campo tivesse condições de viver com seus filhos, não ver seus filhos morrer de fome. E por essa razão ele fundou a Liga Camponesa, na cidade de Sapé (PB). Como tinha muitos pais de família naqueles engenhos vendo seus filhos morrer de fome, a luta de João Pedro era para que o homem do campo não visse seu filhos morrer de fome e tivesse condição de colocá-los numa escola, para que fossem alfabetizados”.

Continua contando que seu marido sabia que ia morrer, e sempre lhe pedia para assumir a sua luta, mas que ela nunca respondia. Foi no seu leito de morte, ao pegar sua mão ainda ensangüentada, que ela lhe teria respondido. Iria continuar sua luta sim.Elizabeth impressiona pela sua simplicidade e segurança. Ouviu atentamente o discurso do seu companheiro de luta, Assis Lemos, mas na sua hora de falar, pegou o microfone e fez questão de ficar em pé. Nessa posição, com voz e postura firme, narrou sua história e defendeu suas posições.

O exílio – Elizabeth sofreu um exílio interno no interior do Rio Grande do Norte, exatamente os anos de interrupção do filme. Mudou de nome e, acompanhada por um de seus 11 filhos, reiniciou uma nova vida. Os outros filhos foram distribuídos por parentes e ficaram 17 anos sem ter notícia da mãe. O filho que lhe acompanhava, a família não aceitou cuidar. Era muito parecido com o pai. Com a anistia política retoma sua vida. Ela afirma que foi ‘resgatada’ pelo cineasta Eduardo Coutinho, que havia lhe deixado um número de telefone para que ela o procurasse, quando pudesse. Foi exatamente o que ela fez.

A luta – Elizabeth e Assis Lemos, juntos no debate que falava sobre A luta pela terra e a violência no campo”, por alguns momentos parecem pertence à um tempo muito distante. Onde a luta pela terra era apenas uma questão de sobrevivência. Uma luta que ainda não estava permeada pelos vícios da política. Uma época quase romântica, onde a luta era de classes. Assis lembra que era proibido envolver política , religião, ou qualquer outro assunto na luta camponesa. E recorda que essa palavra foi abolida nos anos de ditadura, a imprensa proibida de utiliza-la. Por isso o movimento ressurgiu com outro nome, MST, Movimento dos Sem-Terra.

Os dias atuais – Hoje, Elizabeth mora em João Pessoa, em Cruz das Armas, na casa comprada com o dinheiro do filme que fez com Eduardo Coutinho. Sobrevive com o apoio dos filhos e com a pensão concedida pela Comissão de Anistia. Não tem mais condições de acompanhar a luta no campo, mas cumpre o seu papel, contando a sua história e orientando todos que lhe procuram. Como exemplo, a história de luta do seu marido, que se confunde com a sua.

Na cena final de “Cabra Marcado Para Morrer”, quando se despede de Eduardo Coutinho, Elizabeth fala:

– A luta que não pára. A mesma necessidade de 64 está plantada, ela não fugiu um milímetro, a mesma necessidade do operário, do homem do campo, a luta que não pode parar. Enquanto existir fome e salário de miséria o povo tem que lutar. Quem é que não luta? É preciso mudar o regime, enquanto tiver este regime, esta democracia, (…) democracia sem liberdade? Democracia com salário de miséria e de fome? Democracia com o filho do operário sem direito de estudar, sem ter condição de estudar?

Elizabeth Teixeira, educadora, mulher da reforma agrária, mulher da Liga Camponesa de Sapé, que continua achando que a reforma agrária no Brasil ainda precisa “ser realizada”, apesar de oficialmente ter começado em 13 de março de 1964, no Governo de João Goulart.

Um pouco da história de João Pedro – João Pedro Teixeira nasceu em 4 de março de 1918, em Pilõesinhos, naquele tempo um distrito do município de Guarabira (PB). É filho de um pequeno produtor do mesmo nome – João Pedro Teixeira – e Maria Francisca da Conceição do Nascimento. Sua revolta contra o modo de trabalho imposto aos camponeses começou com os ensinamentos de seu pai, que se envolveu em um conflito na propriedade, da qual era arrendatário. Não aceitou que o proprietário quisesse se apossar de uma parte das terras. A disputa começou na época em que nasceu o futuro líder das Ligas Camponesas, e durou seis anos. A tensão era muito grande, que num forró, dois filhos do dono com mais dois capangas provocaram uma briga. Para não morrer, João Pedro, pai, acabou matando os dois. Fugiu e nunca mais foi visto. Esta dor o filho carregou por toda a vida.

A mãe mudou-se para Guarabira e depois para Sapé. Levou a filha, mas João Pedro foi entregue aos avós. Quando o avô morreu, um irmão do pai terminou criando João Pedro Teixeira, em Massangana, Cruz do Espírito Santo. João Pedro aprendeu trabalhar na roça, mas quando completou 18 anos foi trabalhar na pedreira perto de Café do Vento. Foi quando conheceu Elisabeth, com quem se casou em 26 de julho de 1942, tendo que fugir, pois os pais eram contra. Elisabeth tinha 17 anos de idade, e era a mais velha dos nove filhos de Manoel Justino da Costa e de Altina Maria da Costa.

Em 1955, aconteceu o primeiro Encontro dos Camponeses de Sapé, na casa de João Pedro, com a presença de outros líderes como Nego Fuba (João Alfredo Dias) e Pedro Fazendeiro (Pedro Inácio de Araújo) – os dois primeiros desaparecidos políticos do Regime Militar de1964. No dia 02 de abril de 1962, há 44 anos, o líder camponês João Pedro Teixeira foi assassinado.

Fonte: http://www.clickpb.com.br/noticias/paraiba/aos-81-anos-elizabeth-teixeira-a-viuva-de-cabra-marcado-para-morrer/

Arquitetura da destruição

Sinopse:

Nos minutos iniciais do filme, é apresentada a missão assumida pelos nazistas de “purificar” a terra alemã dos males que a assolavam, definindo aquilo que os nazistas chamaram de “corpo do povo da Alemanha”. Com esse discurso, os nazistas passaram a perseguir diversos grupos da sociedade, principalmente as pessoas com deficiências e os judeus, tratando-os como se fossem bactérias ou vírus,quando o documentário exibe os guetos poloneses – um verdadeiro câncer que se difundia pelo mundo a ser contido e removido da sociedade alemã. A medicina alemã deveria trabalhar em prol desse corpo do povo, e não em prol do indivíduo, e nesse sentido diversos médicos acabaram se tornando filiados ao Partido Nacional Socialista Alemão a fim de conseguirem subir na carreira. Contudo, esse discurso “higienista” acaba sendo incorporado a uma questão de ordem estética, fundindo de certa maneira padrões de beleza (a “grande arte” idealizada por Hitler, que via na Antigüidade Clássica especialmente a fusão das paixões de Esparta, Atenas e Roma bem como na obra de Richard Wagner o ápice da manifestação artística humana; sendo bastante influenciado pelo romantismo alemão da segunda metade do século XIX) com questões de ordem médica. Como exemplo disso, temos o rebaixamento da arte moderna, dentro da lógica totalitária nazista, para uma chamada “arte degenerada”. Hitler chega até mesmo a elaborar duas exposições de arte, uma divulgando a “arte sadia”, condizente com suas concepções estéticas da raça ariana, e outra exposição, desta vez da “arte degenerada”, mostrando ao povo alemão como era a arte que eles não deveriam apreciar. Chegou-se ao ponto de comparar diversas obras modernistas com fotos de casos de deformação congênita, retiradas de revistas médicas da época, o filme mostra o acervo da cultura hitlerista apreendido pelos aliados.

Retomando o discurso estético e biológico dos nazistas, os manicômios são apresentados durante o documentário como uma subversão da ordem natural, uma vez que enquanto o “povo alemão” vivia em condições paupérrimas, pessoas doentes, loucos e toda ordem de enfermos viviam cercadas de luxo e beleza que elas nem mesmo seriam capazes de contemplar. Dentro dessa mesma lógica, já no meio do documentário, é apresentado o filme nazista intitulado Vítimas do Passado (1937), onde a intenção é também a de “biologizar” o discurso nazista, que defendia a eugenia através da prática da “eutanásia”, termo não adequadamente empregado, uma vez que era realizada sem o consentimento do enfermo ou de sua família. “Na natureza, tudo o que não é adequado perece“; – diz o documentário nazista, induzindo os telespectadores a adotarem a mesma lógica para a sociedade na qual eles viviam, onde os mais aptos deveriam ser recompensados e os menos aptos exterminados.

A prática da eugenia nazista, de acordo com o documentário de Cohen, teria começado com a esterilização de doentes e passado então para morte de crianças com algum tipo de má formação, passando num próximo momento, já no fim da Segunda Guerra, para o extermínio de judeus na chamada “solução final”. Essa prática de matar não apenas judeus “estrangeiros”, mas também as próprias crianças e soldados alemães considerados inaptos, vai ao encontro do que afirma Hannah Arendt, para quem o totalitarismo seria uma forma de domínio inovadora, uma vez não se limitaria a destruir as capacidades políticas do ser humano, isolando-o em relação à vida pública, como faziam as velhas tiranias e os velhos despotismos, mas tenderia a destruir os próprios grupos e instituições que formam o tecido das relações privadas do homem, tornando-o estranho assim ao mundo e privando-o até de seu próprio eu.

A narrativa do documentário é feita por vezes de modo irônico, tratando Adolf Hitler como uma pessoa frustrada, “limitada intelectualmente” e cujos projetos por vezes eram por vezes de “resultados amadorísticos”. Logo no início Peter Cohen apresenta Hitler como um arquiteto e pintor frustrado por sua não-admissão na Academia de Artes de Viena, criando uma subseqüente obsessão pela Antiguidade Clássica, Richard Wagner e Linz, sua cidade natal.

”DENTRO DA CABEÇA DE NOAH CHOMSKY”

766px-Chomsky-600x802Além de seu premiadíssimo trabalho acadêmico, tanto como professor quando pesquisador em linguística, Chomsky tornou-se muito conhecido pela defesa de suas posições políticas de esquerda — descrevendo-se como socialista libertário — bem como por seu corrosivo posicionamento de crítico contumaz tanto da política norte-americana quanto de seu uso da comunicação de massa para manipular a opinião pública.

Em uma de suas frases de efeito, Chomsky afirma que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cacetete (ou repressão da polícia política) significa para o estado totalitário”.

Em seu livro A Manipulação do Público, em coautoria com Edward S. Herman, Chomsky aborda este tema com profundidade apresentando seu modelo de propaganda dos meios de comunicação, documentado com numerosos estudos de caso, extremamente detalhados.

Um viés social pode ser definido como inclinação ou tendência de uma pessoa ou de um grupo de pessoas que infere julgamento e políticas parciais e, portanto, injustas para uma sociedade tida como um sistema social integral.

A abordagem de Chomsky explicita esse viés sistêmico dos meios de comunicação, focado em causas econômicas e estruturais, e não como fruto de uma eventual conspiração criada por algumas pessoas ou grupos de pessoas contra a sociedade.

O modelo denuncia a existência de cinco filtros, gerados por esse viés sistêmico, a que todas as notícias são submetidas antes da publicação. Filtros, que combinados distorcem e deturpam as notícias para o atendimento de seus fins essenciais.

1.o Filtro — PROPRIEDADE: A maioria dos principais meios de comunicação de massa pertence às grandes empresas.

2.o Filtro — FINANCIAMENTO: – Os principais meios de comunicação obtêm a maior parte de sua renda, não de seus leitores, mas sim de publicidade (que, claro, é paga pelas grandes empresas).

Como os meios de comunicação são, na verdade, empresas orientadas para lucro, o modelo de Herman e Chomsky prevê que se deve esperar a publicação apenas de notícias que reflitam os desejos, as expectativas e os valores dessas empresas que os financiam.

3.° Filtro — FONTE: As principais informações são geradas por grandes empresas e instituições. Consequentemente os meios de comunicação dependem fortemente dessas entidades como fonte de informações para a maior parte das notícias. Isto também cria um viés sistêmico contra a sociedade.

4.° Filtro — PRESSÃO: A crítica realizada por vários grupos de pressão que procuram as empresas dos meios de comunicação, atua como uma espécie de chantagem velada, para que os grandes meios de comunicação de massa jamais saiam de uma linha editorial consoante com seus interesses, muitas vezes à revelia dos interesses de toda a sociedade.

5. Filtro — NORMATIVO: As normas da profissão de jornalista calcadas nos conceitos comuns comungados por seus pares, muitas vezes estabelece como prioritário a atenção ao prestígio da carreira do profissional (proporcionalmente ao salário).

Prestígio esse obtido pela veiculação de determinada notícia, sempre em detrimento do efeito danoso à sociedade oriundo da manipulação dos fatos (por exemplo o sensacionalismo) com o objetivo de atender o mercado ( e também, novamente proporcionar prestígio tanto ao profissional quanto ao canal noticiante, como dito antes).

A análise de Chomsky descreve os meios de comunicação como um sistema de propaganda descentralizado e não conspiratório, mas mesmo assim extremamente poderoso.

Tal sistema é capaz de criar um consenso entre a elite da sociedade sobre os assuntos de interesse público estruturando esse debate em uma aparência de consentimento democrático que atendem aos interesses dessa mesma elite. Isso ocorrendo sempre às custas da sociedade como um todo.

Para os autores o sistema de propaganda não é conspiratório porque as pessoas que dele fazem parte não se juntam expressamente com o objetivo de lesar a sociedade, mas, no entanto, é isso mesmo que acabam fazendo, infelizmente.

Chomsky e Herman testaram seu modelo empiricamente tomando pares de eventos que são objetivamente muito semelhantes entre si, exceto que um deles se alinha aos interesses da elite econômica dominante, que se consubstanciam no interesse das grandes empresas, e o outro não se alinha.

Eles citam alguns de tais exemplos para mostrar que nos casos em que um “inimigo oficial” da elite realiza “algo” (tal como o assassinato de algum líder, por exemplo), a imprensa investiga intensivamente e devota uma grande quantidade de tempo à cobertura dessa matéria.

Mas quando é o governo da elite ou o governo de um país aliado que faz a mesma coisa (assassinato de um líder ou coisa ainda pior) a imprensa minimiza e distorce a cobertura da história.

E ironicamente, tal prática é muito bem aplicada à maior parte dos escritos políticos de Chomsky , que têm sido ignorados ou distorcidos pelos detentores dos meios de comunicação mundiais.

Chomsky aponta também em seus estudos algumas estratégias usadas pelos donos do poder para realizar uma verdadeira “manipulação mental” feita através dos meios de comunicação, mas isso já é assunto para um próximo artigo.

http://hypescience.com

O GOLPE NA VENEZUELA

No ano de 2002, o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sofreu uma tentativa de golpe. O país conhecido pelas reservas de petróleo e gás natural, ganhou atenções em âmbitos internacionais. Para entender o cenário dessa data, precisamos compreender quem era Hugo Chávez. Identificado como adepto ao populismo e de discursos claramente nacionalistas, conduzia o país sob práticas de inclusão social, estabelecendo uma forte aliança com as classes mais pobres. Também adotava uma postura desafiante em relação aos Estados Unidos, por seguir uma retórica anti-imperialista e anticapitalista, onde defendia a autossuficiência econômica do país, a integração latino-americana e a cooperação entre as nações mais pobres do mundo.

Quando Hugo Chávez assumiu a presidência em 1998, a Venezuela havia passado por uma baixa nos preços da energia e uma explosão da dívida externa, o que estimulava reformas estruturais. As primeiras medidas se deram em cima da Constituição, onde o que chamava a atenção era o controle efetivo sobre a estatal de petróleo PDVSA. A partir daí, partidos opostos começaram a desejar a queda de Chávez. Executivos da PDVSA se recusaram a aceitar mudanças e a oposição convocou uma greve geral, promovendo, também, uma manifestação pedindo pela renúncia de Chávez.

Em 11 de abril de 2002, realizaram o golpe. Em uma suposta renúncia do de Hugo Chávez, Pedro Carmona, presidente da principal federação patronal do país, foi empossado em governo dito “provisório”. Carmona recebeu apoio imediato do FMI e dos governos dos Estados Unidos e da Espanha. O novo presidente, em seu primeiro decreto, rescindiu a Constituição de 1999 e as 49 leis decretadas por Chávez, dissolveu os demais poderes públicos (o Tribunal Supremo de Justiça e o Parlamento), declarou ilegal o marco jurídico vigente e mudou o nome do país para “República de Venezuela”. A mobilização dos setores populares, que ocuparam as ruas e a entrada do Palácio Miraflores, além da organização de amplo movimento cívico-militar, garantiu a recondução de Hugo Chávez à presidência da República em 13 de abril de 2002.

O que se faz extremamente importante é entender o papel da mídia e dos Estados Unidos nesse evento. O golpe foi a prova de que a potência americana não mede esforços para manter seu controle sobre os países subdesenvolvidos e defender seus interesses. Sempre os incomodou as medidas populares de Chávez e sua aproximação com Fidel Castro. O nome “A revolução não será televisionada” significa não só o corte na comunicação durante o golpe, mas o fato de que todos os meios pertencem a grandes corporações capitalistas, facilmente corrompidas. Além disso, a história se repete em outros países, inclusive no Brasil.

SUGESTÃO

Filme: As torres gêmeas

Ano: 2006

Autor: Oliver Stone

Sinopse: O filme começa com o integrante do Departamento da Polícia Portuária, Will Jimeno, indo para mais um dia de trabalho. Enquanto isso, o sargento John McLoughlin, veterano do mesmo Departamento, já estava acordado há algumas horas, por  conta de sua ronda diária de uma hora e meia até a cidade. Assim como todo dia comum, Jimeno, McLoughlin e seus parceiros vão ao centro de Manhattan. Até que um ataque terrorista ao World Trade Center muda completamente a situação, fazendo com que toda a equipe do Departamento seja convocada com urgência ao local do ataque. A 1ª equipe a entrar na torre não-atingida é composta por 5 homens, entre eles Jimeno e McLoughlin. Porém enquanto eles estão dentro do prédio, tentando ajudar os sobreviventes da torre em chamas, um 2º ataque terrorista atinge o World Trade Center, exatamente no prédio que ainda não tinha sido atingido.